Conto Anacrônico 7
E a história continua.
Melina está perplexa. Seu amigo a contou sobre como as coisas mudam.
Ele, semelhante à Mel, é de família simples com orgulho. E começou a trabalhar cedo para ajudar os pais, mas não deixou de estudar. Sabia que através do estudo sua vida mudaria. Ele viveu dificuldades e discriminações, por ser negro. Uma parte considerável das atitudes preconceituosas vinham de parentes da sua família materna, "brancos" (ninguém é, de fato, branco no Brasil). Em datas comemorativas, quando toda a família se reunia, muitos de seus consangüíneos só acenavam para ele, de longe. E estampavam em suas faces os sorrisos mais falsos possíveis, convenientes. Contudo, ele é um rapaz alegre, engraçado e inteligente. Extremamente inteligente. Estudou muito, cursou Direito na universidade federal e passou em um notável concurso público. Pois bem, no último Natal ele compareceu à "confraternização" familiar. Dessa vez, TODOS os seus parentes o abraçaram com um carinho forjado, perguntaram-lhe sobre a sua vida, deram ouvidos às suas opiniões, o elogiaram demasiadamente; enfim, o viram.
Depois de ter contado tudo isso para Melina, ele concluiu: "eles só me deram atenção quando viram o meu carro, a casa que comprei para os meus pais e as nossas roupas. Como eu tenho repugnância à futilidade! Eles não são capazes de olhar através da minha imagem." Então, Mel o abraçou. Foi um abraço longo, ambos choravam. Existe empatia entre eles.
Cessando as lágrimas, Melina o conduziu para a sala e lhe trouxe broa de fubá, café, torta... Após o lanche, eles foram ouvir Música e na rádio tocava Índios, da Legião Urbana.
Melina está perplexa. Seu amigo a contou sobre como as coisas mudam.
Ele, semelhante à Mel, é de família simples com orgulho. E começou a trabalhar cedo para ajudar os pais, mas não deixou de estudar. Sabia que através do estudo sua vida mudaria. Ele viveu dificuldades e discriminações, por ser negro. Uma parte considerável das atitudes preconceituosas vinham de parentes da sua família materna, "brancos" (ninguém é, de fato, branco no Brasil). Em datas comemorativas, quando toda a família se reunia, muitos de seus consangüíneos só acenavam para ele, de longe. E estampavam em suas faces os sorrisos mais falsos possíveis, convenientes. Contudo, ele é um rapaz alegre, engraçado e inteligente. Extremamente inteligente. Estudou muito, cursou Direito na universidade federal e passou em um notável concurso público. Pois bem, no último Natal ele compareceu à "confraternização" familiar. Dessa vez, TODOS os seus parentes o abraçaram com um carinho forjado, perguntaram-lhe sobre a sua vida, deram ouvidos às suas opiniões, o elogiaram demasiadamente; enfim, o viram.
Depois de ter contado tudo isso para Melina, ele concluiu: "eles só me deram atenção quando viram o meu carro, a casa que comprei para os meus pais e as nossas roupas. Como eu tenho repugnância à futilidade! Eles não são capazes de olhar através da minha imagem." Então, Mel o abraçou. Foi um abraço longo, ambos choravam. Existe empatia entre eles.
Cessando as lágrimas, Melina o conduziu para a sala e lhe trouxe broa de fubá, café, torta... Após o lanche, eles foram ouvir Música e na rádio tocava Índios, da Legião Urbana.
"Quem me dera ao menos uma vez
que o mais simples fosse visto
como o mais importante,
mas nos deram espelhos
e vimos um mundo doente."
que o mais simples fosse visto
como o mais importante,
mas nos deram espelhos
e vimos um mundo doente."
