Partes Anacrônicas

Este blog foi idealizado para revelar as minhas partes anacrônicas e para ser meu cantinho, onde dou o berro sobre coisas absurdas e conto mais sobre mim.

Nome:

Tenho 22 anos, sou uma pessoa simples, que dá valor as coisas simples, que ama Música, ler, conversar com os amigos, escrever cartas *anacrônico isso, não?

"Eu preciso de uma vida devoradora. Preciso agir, gastar-me, realizar; é-me necessário um objetivo, vencer dificuldades, levar a cabo uma obra. Não sou feita para o luxo." [Simone de Beauvoir]

domingo, janeiro 27, 2008

Conto Anacrônico 7

E a história continua.
Melina está perplexa. Seu amigo a contou sobre como as coisas mudam.
Ele, semelhante à Mel, é de família simples com orgulho. E começou a trabalhar cedo para ajudar os pais, mas não deixou de estudar. Sabia que através do estudo sua vida mudaria. Ele viveu dificuldades e discriminações, por ser negro. Uma parte considerável das atitudes preconceituosas vinham de parentes da sua família materna, "brancos" (ninguém é, de fato, branco no Brasil). Em datas comemorativas, quando toda a família se reunia, muitos de seus consangüíneos só acenavam para ele, de longe. E estampavam em suas faces os sorrisos mais falsos possíveis, convenientes. Contudo, ele é um rapaz alegre, engraçado e inteligente. Extremamente inteligente. Estudou muito, cursou Direito na universidade federal e passou em um notável concurso público. Pois bem, no último Natal ele compareceu à "confraternização" familiar. Dessa vez, TODOS os seus parentes o abraçaram com um carinho forjado, perguntaram-lhe sobre a sua vida, deram ouvidos às suas opiniões, o elogiaram demasiadamente; enfim, o viram.
Depois de ter contado tudo isso para Melina, ele concluiu: "eles só me deram atenção quando viram o meu carro, a casa que comprei para os meus pais e as nossas roupas. Como eu tenho repugnância à futilidade! Eles não são capazes de olhar através da minha imagem." Então, Mel o abraçou. Foi um abraço longo, ambos choravam. Existe empatia entre eles.
Cessando as lágrimas, Melina o conduziu para a sala e lhe trouxe broa de fubá, café, torta... Após o lanche, eles foram ouvir Música e na rádio tocava Índios, da Legião Urbana.

"Quem me dera ao menos uma vez
que o mais simples fosse visto
como o mais importante,
mas nos deram espelhos
e vimos um mundo doente."

sábado, janeiro 19, 2008

Hey ho! Let's go?

Outras - e novas - perspectivas para 2008.

Não estive muito presente nos últimos meses do ano passado, eu sei. Mas a causa, como alguns sabem, foi boa. Uma etapa na reta final, muito o que fazer em pouco tempo. Mesmo assim, eu lancei pensamentos aqui. Um pouco fragmentados, por causa da correria. Com isso, descobri que não consigo ficar muito tempo longe daqui. É uma necessidade. Se não o faço, sinto-me aflita, como se eu tivesse deixado de cumprir uma tarefa fundamental. Porém, não me forço a postar com freqüência. Deixo-me livre, inclusive na escrita, pois as regras gramaticais, os padrões, me prendem e a idéia não flui. Escrevo quando estou com algo travado na garganta e que não consigo mais o segurar.
Voltando ao rumo inicial da prosa, chegou a hora do descanso. Mas sem me descuidar daqui, do meu cantinho. Já tirei o pó dos móveis, consertei o gramofone e passei um café fresquinho. Tudo pronto para novas conversas com os amigos!